Miranzelo Rogério

Textos: Poemas

marcação Poemas de Rogério Miranzelo.

Casa Velha

Meu tempo é sempre o mesmo,
e ao mesmo tempo, inusitado.
Como as águas do riacho
que passam por aqui.

Ora fica só num canto,
ora pula pro outro lado;
ora vai feliz em frente,
ora dorme no passado.

Ora é solto e cantante,
ora é preso e calado.
Como as águas do riacho
que passam por aqui.

Meu tempo, eu o faço:
breve ou permanente,
duro ou doce abraço.
Meu tempo é imensurável.

Mormaço

A folhagem dos coqueiros
não tem direção
quando bate o vento,
quando bate.

Ela só empreende
– por sina, sim ou não –
o seu movimento,
quando bate o vento.

Minha pele é folheada
a flores – tátil prazer.
Quando o vento vai bater?

Minha derme derme derme,
e quando me der todo o amor
juntado nesses anos todos?

11

O século 21 começa
Em 11 de setembro de 2001
Blocos fios gente fumaça
Tudo desaba no chão de Manhattan
A vida é outra, a História é outra
Tio Sam e Superman não podem
Expurgar a imensa dor americana
O melhor sabão não devolve ao jeans
O brilho do American Way of Life
E meu filme predileto se transforma
No mais cruel e previsível espanto

Um e um, cada qual com seu brio
Seu ódio e seu modo de ver
Cisma, ofende e se esgarça
No moto-contínuo, balas e pedras
Nada redime o ser que se entrecorta
Meu sangue percorre paragens diversas
Oriente Médio, Europa, África...
E redescobre a História inversa
Por fim, meu sangue latino, vilsangue,
Sem metal, sem valor, desconhecido,
Ainda percorre o coração da América.

11

The 21th century is born
On September 11, 2001
Bricks wires people smoke
Everything falls down on the soil of Manhattan
Life is no more, History is now changed
Uncle Sam and Superman cannot
Purge the pain from the American soul
The best soap cannot restore the jeans
To the glitter of the American Way of Life
And my favorite movie becomes
The bloodiest predictable astonishment


One by one, every man displays his pride
His hatred, his views
Distrust, insult and wearing out
In the continuum firing of bullets and stones
Nothing can save the one who hurts
My heart travels distant places
Middle East, Europe, Africa...
And I find History upside down
Eventually my Latin blood, this vile
Penniless, worthless, unknown blood
Still runs in the heart of America.

Translated into English by Rosa Maria Neves da Silva

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© Rogério Miranzelo